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O que é pobreza menstrual e como afeta a vida de muitas mulheres?

Pobreza menstrual: Uma a cada quatro adolescentes não possuem absorventes e milhares ainda não têm acesso a condições mínimas de higiene, como banheiro com água encanada.

Você sabia que, em todo o mundo, pelo menos 500 milhões de meninas e mulheres não têm à disposição condições mínimas de higiene pessoal, como um banheiro? Agora imagine como elas se viram no período da menstruação que afetam o sono de adolescentes. O problema é tão complexo que ganhou um termo para explicá-lo: pobreza menstrual.

Pobreza menstrual

A pobreza menstrual atinge milhoes de mulheres

O nome já sugere do se trata, mas não estamos falando apenas de condições financeiras, mas de um problema de saúde pública ainda pouco discutido: a falta de acesso a condições básicas para os cuidados femininos necessários durante o período da menstruação, como banheiro, informação e absorventes.

Segundo o relatório Livre Para Menstruar, cerca de 30% da população brasileira é mulher e está em idade fértil, ou seja, 60 milhões de pessoas. Mas, dessas, 1,5 milhão não têm acesso nem mesmo a um banheiro com água encanada e esgoto. 

Isso não é apenas desconfortável, mas também coloca em risco a saúde dessas mulheres, já que a probabilidade de infecções vaginais e urinárias aumenta consideravelmente nessas condições. Esse precisa ser considerado, portanto, um problema de saúde pública.

O problema piora porque, a pobreza menstrual também pode significar uma ameaça à continuidade das adolescentes na escola. De acordo com o mesmo relatório, 213 mil meninas não têm banheiros com boas condições de uso na escola. E isso pode fazer com que elas deixem de frequentá-la quando menstruam.

Pobreza menstrual: Culpa da desigualdade

As desigualdades sociais do nosso país também ficam evidentes quando falamos de pobreza menstrual. Entre as meninas que não têm banheiro na escola, 63% são negras e os quatro estados onde a situação é pior estão no Norte e no Nordeste, regiões mais pobres do país.

Isso sem falar que uma em cada quatro adolescentes nem sempre tem absorventes à disposição, por motivos financeiros. A estimativa é que uma mulher gaste, em média, R$6 mil com absorventes durante toda a sua vida fértil. Não precisa nem dizer que no Brasil muitas não têm de onde tirar esse dinheiro, não é mesmo? 

Aqui, as mulheres que estão entre as 5% mais pobres precisariam trabalhar 4 anos só para pagar os absorventes, que ainda são considerados produtos supérfluos pela tributação brasileira.

Some todas essas dificuldades ao fato de a menstruação, apesar de ser normal e indicar que a mulher está saudável, ainda ser um tabu em todo o mundo. Ainda há muita desinformação e comentários equivocados que fazem com que muitas mulheres passem a vida com vergonha de falar sobre o assunto.

Dignidade menstrual é direito básico

Para resolver o problema, são necessárias políticas públicas que olhem para ele. Tanto pensando no acesso a infraestruturas de higiene básica, como água tratada e esgoto, como assegurando absorventes — ou coletores e calcinhas menstruais — para todas as mulheres em idade fértil. 

Várias empresas de soluções sustentáveis já fazem isso por conta própria, revertendo parte do valor das vendas em doações. São iniciativas que podem servir de inspiração, mas é preciso mais. Afinal, como uma menina vai usar um coletor menstrual sem banheiro?

Pobreza menstrual em debate

Enquanto não conseguimos assegurar a dignidade menstrual como um direito previsto em lei, alguns projetos têm dado exemplo. Recentemente, o Rio de Janeiro, pressionado por ativistas, aprovou um projeto de lei estadual que reduziu os impostos sobre os absorventes e os incluiu na cesta básica.

Leis semelhantes estão sendo reivindicadas por coletivos feministas também em outros estados, assim como a distribuição de absorventes nas escolas públicas. Muitos coletivos também trabalham arrecadando e distribuindo itens de higiene básica para mulheres em várias localidades, especialmente nas áreas mais pobres.

Além dessas ações, é necessário que a menstruação deixe de ser um tabu. Trocar experiências e falar sobre os problemas também é uma forma de começar a resolvê-los. E esse é um desafio urgente, afinal todo dia alguma adolescente vive a sua primeira menstruação.

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Por Sorocaba em foco

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